sábado, 11 de fevereiro de 2012

Mão Morta


Em 1996 os Mão Morta dedicam-se sobretudo a tocar ao vivo, ano em que batem o seu recorde de concertos anuais, com destaque para a participação em Março como cabeças de cartaz no festival Combate Rock, no Pavilhão Carlos Lopes, em Lisboa, durante a qual Adolfo Luxúria Canibal ataca violentamente o tipo de jornalismo musical praticado pelo suplemento PopRock do jornal Público (o que os baniria do jornal por vários anos...), a actuação em Abril na entrega dos Prémios de Música Blitz – 1995, no Coliseu dos Recreios, também em Lisboa, a ida em Agosto como cabeças de cartaz ao 4º festival internacional de Paredes de Coura ou as actuações também como cabeças de cartaz na Recepção ao Caloiro da Universidade do Minho, em Outubro, em Braga, e na Festa das Latas da Universidade de Coimbra, em Novembro.
Mas o ano, e o futuro, ficariam marcados pelo incêndio que, no final de Setembro, no acesso à ponte 25 de Abril, em Lisboa, destrói a carrinha que transporta o back-line e os instrumentos do grupo, quando se dirigia para um concerto em Tróia. Face à adversidade, os Mão Morta, em troca da substituição de todo o material ardido, assinam em Outubro um contrato para dois discos com a NorteSul, etiqueta discográfica do grupo Valentim de Carvalho que representava em Portugal as principais marcas de instrumentos. Outra consequência desse incêndio é o afastamento de Vítor Silva do management da banda, funções que exercia desde 1986, por no entender do grupo não ter estado à altura da gravidade do acontecimento.
Mas antes disso, em Junho, os Mão Morta recebem do encenador Jorge Silva Melo um convite, em nome do Centro Cultural de Belém (CCB), para musicarem poemas do falecido dramaturgo alemão Heiner Müller, a propósito da apresentação póstuma da peça Germania 3. A banda, com a colaboração da figurinista Ana Rita e da realizadora Mariana Otero, transforma o convite na concepção de um espectáculo multimédia,Müller no Hotel Hessischer Hof, que estreia em Janeiro de 1997 num CCB esgotado e eufórico. O espectáculo faz mais duas datas esgotadas na sala pequena do Centro Cultural de Belém e outras três, sempre esgotadas, no Teatro Garcia de Resende, em Évora, no Teatro-Circo, em Braga, e no Teatro Gil Vicente, em Coimbra. A gravação do espectáculo de estreia seria ainda editada em disco, em Maio, com entrada directa para o 20º lugar do Top Nacional de Vendas, onde se manteve quatro semanas, e em vídeo, em Fevereiro de 1998.
Em Maio de 1997, os Mão Morta ganham um Prémio de Música Blitz - 1996 na categoria de “melhor vídeo-clip” – único ano em que essa categoria existiu –, com o vídeo de Chabala, realizado em Maio do ano anterior por Nuno Tudela para acompanhar a edição do single homónimo pela BMG. Em Junho é Adolfo Luxúria Canibal que recebe, na categoria “música”, o galardão regional bracarense A Nossa Terra, na sua primeira edição.
Ao vivo, destaca-se ainda a participação dos Mão Morta no 5º festival internacional de Paredes de Coura, que encerrariam, actuando após os norte-americanos Rollins Band. 1997 terminaria com a inclusão de Müller no Hotel Hessischer Hof nas listas de melhores do ano de várias publicações, sendo “2º melhor disco nacional do ano” para o semanário Expresso e “5º melhor disco nacional do ano” para o jornal Diário de Notícias.
Em Março de 1998 os Mão Morta, através de Adolfo Luxúria Canibal, são nomeados para um Prémio de Música Blitz - 1997, na categoria “melhor vocalista masculino nacional”. No mês seguinte são capa dos semanários Blitz e Raio X e editam Há Já Muito Tempo que Nesta Latrina o Ar se Tornou Irrespirável, um trabalho conceptual baseado nas teorias artístico-políticas da Internacional Situacionista, que tem entrada directa para o 12º lugar do Top Nacional de Vendas. Na tournée que se seguiu, os Mão Morta percorrem em Maio os eventos estudantis, com actuações na Queima das Fitas da Universidade de Coimbra, no Enterro da Gata da Universidade do Minho, em Braga, e na Semana Académica da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, em Vila Real, e actuariam ainda no festival Mergulho no Futuro, em Agosto, nos Armazéns Abel Pereira da Fonseca, realizado no quadro da Expo 98, a Exposição Mundial de Lisboa, juntamente com os americanos Blonde Redhead e Unwound, numa selecção de Arto Lindsey, e na Recepção ao Caloiro do Instituto Superior de Engenharia de Lisboa, em Outubro.
Ainda em 1998, durante o mês de Maio, os Mão Morta tiveram 24h de emissão radiofónica dedicada ao grupo, na RUM – Rádio Universitária do Minho, num evento intitulado 24 Horas du Mão Morta, são destaque na reportagem que a revista francesa L’Express faz sobre Lisboa e alguns dos seus vídeos, bem como uma entrevista a Adolfo Luxúria Canibal, são difundidos pela emissora de televisão brasileira TV Globo. Já em Julho é editado pela FNAC o livro Os Melhores Discos da Música Popular Portuguesa (1960-1997), que inclui os álbuns Mão Morta eMutantes S.21, sendo este ainda incluído, em Outubro, na selecção Grandes Álbuns do semanário Raio X. Depois de em Setembro os Mão Morta terem sido capa do quinzenário cultural Jornal de Letras, Artes e Ideias, em Novembro o vídeo-clip Em Directo (Para a Televisão), mais uma vez realizado por Nuno Tudela, ganha o Prémio Nacional de Vídeo, na categoria “melhor produção”. O álbum que ilustrava, Há Já Muito Tempo que Nesta Latrina o Ar se Tornou Irrespirável, é considerado o “2º melhor disco nacional do ano” pelo Diário de Notícias e um dos melhores do ano pelo semanário Expresso.
Ainda em Dezembro de 1998 são reeditados em CD os três primeiros álbuns do grupo, Mão Morta, Corações Felpudos e O.D., Rainha do Rock & Crawl. No mês seguinte os Mão Morta enchem o Coliseu dos Recreios, a mítica sala de espectáculos de Lisboa, encerrando a apresentação de Há Já Muito Tempo que Nesta Latrina o Ar se Tornou Irrespirável com um concerto deslumbrante, onde recorrem à manipulação vídeo para construírem em palco a mistificação mediática de que tratava o disco.